segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Glamour

De tão perto não notei
O que de tão longe brilha,
feito ouro em boca suja
eis o caminho que trilha

Luzes do Glamour
Tecidos de Cetim
Perfume Europeu
Eu te conheço assim

Belo, liso, Bem sucedido
e o que sucede em verdade
em seu âmago, etéreo, aura
é a impermeável futilidade

Mas a máscara não resiste
O tempo é o senhor
Aquele e que te espelha
se foi, como uma carcaça velha

Como água, fonte de vida
se fez fonte de morte
Que em papel mache desfez
Seu encanto já não é sorte

E você morreu,
a chuva te levou pra longe
E na sarjeta não se sente nu,
Tens um quê de glamour

Livre

Vi seus olhos procurando os meus
Pensei ver um partícula de vida
me enganei, diante de tal ilusão
era apenas seu olho, seco e imóvel

As flores rodeavam seu corpo
faziam de sua silhueta colorida e viva
você sorria, como se soubesse o caminho certo
A dor se foi, e então pude notar você

Como há tempos
Você quebrou as correntes
Deixou pra trás o que não mais podia segurar
O que escapou pelas lacunas da vida

Vejo você diante de seu corpo
Não quer o chão, não precisa
Seu sol já não é o nosso
As portas abriram e você está livre

Minha alma é esperança
Enquanto a sua é certeza
Enquanto você sorri como criança
Seu dedo toca o céu

Cola

Já é tarde
O frio toma conta da cidade
A tormenta parece próxima
É melhor correr

Antes que nossas mentes sejam pegas pelo MAL
Perguntas sem respostas
Respostas sem perguntas
Corra antes que sua mente cole (funda)!
Corra!

Quem sou eu?
Onde estou?Pra onde vou?
Se estou vivo, pra que viver?
Se estou morto, pra que viver?
Cuidado com o abismo abaixo do nariz!

Salve

Tão perto mas tão longe te vejo
Seu sorriso leve, fora daqui
Seu olhar transcende lugares
Por onde nunca estivemos

O tempo não é tempo
Quando a ansiedade te corrói
Solidifico-me em imagem
Um quadro de natureza morta

Busco dentro de ti ganchos
Para resgatar aquilo q não mais brilha
A tinta acabou, a vida cessou
É hora de correr, e salvar

Salve
Se não perdeu
Salve
Se é tempo ainda

Show de Rua

Vi seu corpo caído
Banhado em sangue
Sujo, imundo com sujeira da rua
Era o show que o mundo queria


Cidadãos em busca de show
Melhor que a novela das seis
Ou o jornal preto e branco
É ver você morrer de estupidez


É tão belo ver a família unida
Janta sobre a mesa farta
O assunto é seu corpo, morto
Pisado, cagado, mijado


A estupidez de ninguém ajudar
A estupidez de ninguém te tocar
A estupidez de te olhar, e gostar, E GOSTAR!


Não chore sobre o sangue pisado
É tarde, não adianta clamar
Não adianta gritar
Você tem de matar
O que tem dentro de você!

Sobre viver

Me disseram que o mundo era meu
Poderia fechar os olhos sem temer
Quando provei sensação assim
Notei quão brusco era o viver


Levei um tapa na cara
Sem ao menos saber o porquê
Descobri que apanho caso não bata
E que pra morrer basta viver


Sobrevivo embaixo do sol
Procuro sua mão para formar a corrente
O céu está ai para nublar
A luz está ai para apagar ( caso fraqueje )


Não piso no mais fraco
É o mais fraco que amanhã é forte
O mundo gira feito hélice
De leste a oeste, do sul ao norte

Não fuja porque o começo é o fim

Arquitetando a vida

Escrevi seu nome na minha mão
Notei que o café esfriara
Tanta coisa pra dizer, e não esquecer
Sentados sob a luz de Vênus
Pude olhar teus olhos de brisa
Tocar sua alma frágil e solene
Estrela Dalva cantou-me o que viria
Então esculpimos o destino